Máscaras (1ª parte)
“Estamos tão habituados a disfarçar-nos com máscaras, que acabamos por nos disfarçar de nós mesmos.”
Francois de la Rochefoucauld
Comecei por escrever uma frase que simboliza o resultado da escolha de usarmos máscaras. Nesta partilha proponho “conversarmos” sobre o tema “disfarces e máscaras”, com o propósito de adquirirmos mais informações. Sinto que é útil e necessário reconhecer origens, hábitos e consequências da sua utilização, bem como o que poderá significar a fuga para “dentro”.
Procurando um conceito, poderemos afirmar que é uma forma que a personalidade adquire, para interagir com o meio onde convive e para se apresentar ao mundo no qual existe e se relaciona.
A necessidade que existe para a sua criação, poderá ser vista por dois prismas: fuga ou preparação. Qual o escolhido dependerá do modo de como nos propomos a sentir, estar e ser.
Esta criação poderá ter duas origens: interna e externa.
Internamente acontece quando sentimos que somos incapazes de dar a resposta mais adequada ou que “deduzimos” á priori a nossa incapacidade de concretizar a atitude. Tudo parece demasiado difícil e a informação que chega das células é protege-te. Nesse momento, os 4 estados (físico, mental, emocional e celular) pegam na informação recolhida desde o nascimento e criam a máscara. Externamente, quando nos deparamos com situações delicadas e sem resposta visível (á partida). Ao sermos confrontados com algo e sentimos o desejo de fuga. Ao sentirmos medo e receio de consequências de um acto. Ambas, porém trazem as suas consequências.
A primeira vez que as colocamos sentimos uma maior segurança e tranquilidade. Pela sua utilização ficamos mais confiantes e dentro de nós, acontece a transformação. A maior parte das vezes, o que faz é criar uma personagem que existe em nós e interage com o exterior. È uma entidade que ganha forma e adquire uma importância crescente, á medida que mais nos ligamos a ela.
A questão é se significam amparo e trazem benefícios ou se pelo contrário, orientam-nos para a limitação e bloqueio interno. A utilização de uma qualquer máscara, deverá ser vista no prisma do porquê? Porque existe a necessidade de sua criação? O que se passa, dentro de nós, para que sejamos impulsionados a esse acto de criação? Porque nos propomos a cria-la?
Mais que nos “livrarmos”, podemos escolher compreender a razão da sua existência. Não conseguimos “despir” e dizer que se tornou desnecessária. Pela simples razão de que necessitamos delas. Fazem parte de nós e através delas conseguimos relacionar-nos e desempenhar os vários papéis da nossa vida. São um foco para as várias possibilidades que nos apresentam na vida. A máscara representa faces da personalidade que vêm do nosso interior e modo de como interage com o exterior.
Existem até ao momento em que sentimos não mais serem necessárias. Passam a estar guardadas, podendo ser utilizadas novamente. Bastará receberem o toque numa tecla assassina e rapidamente ela ganha força, voltando a existir com a mesma intensidade.
Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar
