Máscaras (2ª parte)
A utilização de máscaras poderá ser visto como “bengalas”. Nas quais nos apoiamos para a criação o nosso modo de sentir, ser e estar. Impulsionando para que mostremos um pouco mais da nossa essência e atitudes. Também nos dão os nossos limites e permitem a descoberta de competências. Poderemos afirmar que nos conduzem até á libertação do nosso talento, potencial e valor.
Somos a máscara que usamos? Não, ela é que faz parte do que somos. Ao não existir mais nada além dela, tornamo-nos parciais e incompletos. Iremos sentir que nos falta sempre algo ou que temos que estar sempre á procura de outra coisa qualquer. A sua utilização deverá ser vista como uma transição ou mesmo protecção, ao ser reconhecido como hábito corremos o “risco” de não alcançar a nossa libertação e ficar pelo caminho. Este estado é e deverá ser precavido. Ao criarmos a falsa noção de segurança, abdicaremos de ser quem somos, passando a ser um mero reflexo da nossa própria existência.
Ao sermos absorvidos pela persona (máscara), iremos interagir afastados do que somos e isso terá como consequência o desequilíbrio interno. O que significa que nos iremos esquecer de nós, perdendo o foco da procura pessoal e em último estado, acontecerá a perca da identidade pessoal. Esta situação originará a escravidão a opiniões alheias. Passamos a andar sempre preocupados com o que esperam de nós ou o que pensam da nossa vida.
A persona ao ganhar “consciência”, tudo o que deseja é manter-se assim: importante e essencial para a sobrevivência.
Como conseguimos quebrar o hábito de a utilizarmos?
Antes de mais, assumir a sua existência, confirmando o porquê de a usarmos. Este passo fará com que gradualmente ela perca a importância e seja “guardada”. Conhecermos quem somos é essencial para aceitarmos o que nos propomos a ser. Reconhecer os erros e encarar as suas consequências, assumindo que é Humano e como tal, falível.
Nas sessões de Consultoria que desenvolvo, existe um ponto que sublinho e dou muita importância: CRIADORES DE POSSIBILIDADES. Ao criarmos possibilidades, escolhermos os próprios caminhos, estaremos a redescobrir quem somos. Esta redescoberta fará com que nos deparemos com as nossas virtudes e defeitos. Ganharmos o hábito de libertar quem somos e o que significamos, de uma forma humilde e tolerante (para connosco e para quem nos rodeia). Aprendermos a escutar, a observar e a sentir. Termos a consciência de que iremos ter sucesso e insucesso. Reconhecermos que nem sempre iremos ter razão e que por vezes iremos perder a lógica que nos propomos a ter.
Assumirmos que somos Criadores de possibilidades, é fomentar o foco para a criação interna. Criado este hábito, de cada vez que sentimos a criação, somos envolvidos pela energia da essência que todos somos. Nela, qualquer máscara deixa de existir ou mesmo ter razão para existir. Tornamo-nos confiantes e seguros do que somos e de tudo o que nos propomos a concretizar.
Esta forma de estar na vida, terá como consequência a quebra de hábitos e numa primeira fase a sensação de não se saber bem quem é. Tudo é novo e numa primeira fase estranho. Ao escolhermos continuar passam a ser apenas diferentes. Por último, por estranho que possa parecer, são aceites. Pela sua simplicidade e alegria, ganham o contexto de atitude e nela, renasce a personalidade.
O momento da libertação é motivo de celebração. Alerto apenas para uma situação. As máscaras que usámos tiveram um reflexo no exterior. Quem nos rodeia reconhece a máscara como sendo a nossa identidade, o que significa que ao escolhermos retira-la, vão ver uma “outra pessoa”. O aparecimento do nosso verdadeiro Eu, com a sua personalidade e vontade própria implicará uma transição interior e em quem nos rodeia.
Escolho terminar esta partilha com um provérbio Tibetano: “Lembra-te que a tartaruga só progride quando estica o pescoço.”
Grato a todos pelo carinho e recordem-se, de que em cada segundo recebem a possibilidade de evolução.
Nuno Esteves
Consultor de Bem Estar
