Piloto Automático I

17-03-2011 12:29

Vivemos em piloto automático. O meu dia é casa-trabalho e trabalho-casa. Não tenho tempo para nada. Gostava de ter mais tempo. Resigno-me a esta realidade. Não me deixam mudar. Não posso mudar. Estou desanimada(o).

 

Bom dia a todos com um sorriso. Relativo ao tema “Piloto automático”, escolhi começar com algumas frases que simbolizam a sua realidade e importância. Através delas podemos chegar a um facto, real e concreto, no qual nos direcciona para a realidade de muitos. A atitude para com a mudança será algo interno ou totalmente dependente do exterior?

 

Viver em piloto automático, poderá ser visto como a vida que se fundamenta em hábitos diários ou que se gere através de decisões fechadas e sem margem de alteração. Na segurança de ficarmos no ponto de segurança. Na protecção de não arriscarmos e escolhermos abdicar de qualquer atitude diferente.

 

A essência existe para ser libertada, partilhada com todos, sem máscaras de qualquer espécie. Claro que a primeira imagem que nasce é de ficarmos expostos ao juízo de valor ou opinião alheia. A ideia de crítica negativa, faz com que a escolha passe pelo bloqueio do que estamos a sentir ou criar. Inconscientemente decidimos dizer que sim, quando o que sentimos de verdade é o não ou o inverso. Colocamo-nos em situações de desequilíbrio e nas quais fomentamos o sentimento de mau estar e insatisfação. Da mesma forma que o acto de irmos ao wc acontecer porque sim e pelo facto de que se não respeitarmos essa necessidade algo poderá acontecer (não explico, mas todos deduzimos o que irá acontecer). Tudo acontece por uma razão e ao sentirmos algo que bloqueamos estamos a ir contra o que somos e significamos.

 

O bem-estar e a própria felicidade existem quando decidimos viver intensamente cada segundo. Aprendemos a saborear cada tarefa, missão ou situação, com a perspectiva de que somos nós os criadores dessa possibilidade. Teremos sempre duas escolhas: fazer ou não fazer, estar ou não estar, querer ou não querer, sentir ou ignorar. Somos nós os “decisores” supremos de tudo o que nos propusermos a fazer e se numas vezes iremos dizer sim, noutras iremos escolher o não e ainda noutras o “nim”. O que poderemos fazer é, gradualmente, conhecer o real conceito da nossa individualidade e compreender o que existe dentro de nós. É uma viagem linda e maravilhosa, aquela que nos permitirá libertar todo o nosso potencial, valor e talento. O “engraçado” é que assim que adquirirmos e assimilarmos este hábito, passamos a viver mais calmos, tranquilos e felizes. Quanto mais conhecimento, mais que ficarmos mais sábios, tornamo-nos pessoas mais tranquilas e seguras, tolerantes e humildes. Resumindo passamos a amar o que somos e significamos.

 

Apesar de todos concordarmos com estes factos, o dia-a-dia orienta-nos para o piloto automático. Tarefas no escritório, retornar a casa e ter que fazer uma lista interminável de coisas. Quase que podemos considera-las como ingratas. Por exemplo fazer a cama ou lavar a loiça, se em menos de 24 horas vão estar novamente como estavam, pode ser considerada uma actividade insana.

Porém tudo irá depender do modo de como nos propomos a sentir uma qualquer situação. Ao desligarmos o piloto automático e nos propomos a fazer tudo de uma forma consciente e desperta, fomenta no nosso interior a sensação de estarmos vivos e o grau de satisfação aumenta.

Vivermos por conta das circunstâncias poderão ser considerada um “atentado” á própria vida. Um desrespeito ao que significamos como seres especiais e únicos. Nos tempos que nos envolvem, a depressão e a tristeza são algo “comum”. Ambas podem ter origem da percepção de que nada está ao nosso controle.

 

(fim da I parte)

 

Nuno Esteves

Consultor de Bem Estar